Vamos lá ver se a gente se entende: mas que raio de moda é esta de chamar nude ao bege?! Não entendo, palavra que não me entra na moleirinha, este tipo de estrangeirismo. Daqui nada dizemos: "Essa camisola red é so gira!" Não, não, não e não!!!! Já chega de palavras cobiçadas de outras linguas! Ele é soutien, é T-shirt, é post, é link, é e-mail, é uma panóplia de vocábulos que não são nossos, não derivam sequer da nossa língua e de repente, zás!, entram pelos nossos dicionarios adentro! Sim, sim, está bem, os exemplos que mencionei são muito úteis à nossa sobrevivência comunicativa com o mundo, blá-blá-blá.... A sério? Dá assim tanto trabalho dizer endereço electrónico? Ou texto? Ou camisa T (lembro-me de ler isto n'O Bando dos Quatro, para aí há 12 anitos, vão à biblioteca e procurem pelo tio João, está bem?)? Que estas palavras estrangeiras já façam parte do nosso vocabulário há imenso tempo, eu aceito. Que nos facilitem a vida e a comunicação, quase aceito - certa vez, pedi o endereço electrónico a um sujeito. O tipo olhou para mim como se fosse de outro mundo e deu-me a morada. Tive que dizer e-mail. - agora, onde é que nude facilita a vida a alguém? Ou tartan? Esse padrão fantástico que já existia no tempo da carochinha e se chama.... Tcharan: Xadrez!!!!
No entato, o verdadeiro problema disto é que não são fenómenos passageiros, palavras que vêm este ano e para o ano já ninguém se lembra. Não é isso que acontece! Ainda há pouco tempo, numa conversa com um vendedor, o fulano chamava-me a atenção para aquela nova cor que o estilista XPTO tinha criado.
- Sabe - dizia ele - aquela nova cor, que está muito em voga este ano, o nude.
Apeteceu-me gritar-lhe: "Ó homem, que raio está para aí a dizer?! O fulano não inventou coisissíma nenhuma, essa cor já existe, chama BEGE! Ouviu bem? B-E-G-E!"
Mas isto não se fica por aqui!
Andava eu a deambular pacificamente num centro comercial (aquilo que muitos de vós conhecerão como shopping), quando todo o meu sistema visual bateu na mala em destaque numa das montras. Teve que ser, eu não queria, eu ainda tentei seguir em frente, mas a piquena seguia-me com aquele ar de sem-abrigo que todas as malas possuem. E lá entrei eu na loja, a fim de analisar melhor a minha futura amiga de ombro.
- Bom dia! Gostava de ver aquela mala da montra, por favor. A que tem xadrez.
- Ah, sim tem saído muito bem esta mala. E está muito na moda este ano o tartan.
Vêem? E depois eu é que sou a anormal! Olha qu'isto!O pessoal sabe que se usa o que já se usou, mas como fica giro ter outros nomes, pimba!, espeta-se-lhes com estrangeirismos! Isso não está certo! Chamem o que quiserem ao bege: castanho claro, cor-da-pele o que entenderem, mas nude é que não! Na dúvida, comprem um dicionário, está bem?
Agora imagina... as pessoas cegas, com baixa visão, os daltónicos... não há detetor de cores que resolva estes problemas...
ResponderEliminarPodes crer Prima!...
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